Não contei a ninguém. Ainda não. Esperaria até meu aniversário. Deixaria que me dessem sua cruel surpresa. Deixaria que a saboreassem — e então compartilharia a minha.
Uma chama silenciosa se acendeu dentro de mim. Carreguei-a por três dias. Quando chegou o meu aniversário, minhas mãos não tremiam mais.

O Partido
O salão de baile do hotel brilhava como um palco. A luz dos cristais se espalhava sobre a toalha de linho branca e o vidro. Vivian havia escolhido o lugar com cuidado — grandioso o suficiente para impressionar seus amigos, elegante o bastante para me lembrar de onde ela achava que eu não pertencia.
Ela flutuava pela sala em lantejoulas, beijando o ar, seu perfume envolvendo o ambiente. Para qualquer um que a observasse, ela era a anfitriã perfeita. Vi o brilho por trás do seu sorriso — o olhar de alguém esperando a cortina se abrir.
Lauren sentou-se à minha frente, com o celular na mão. Ela sorriu como uma mulher que sabia o roteiro. Ryan ajeitou a gravata e checava a tela do celular a cada poucos minutos. Não perguntei com quem ele estava conversando. Eu já sabia.
O jantar transcorreu em uma conversa educada. Mantive a voz firme, respondendo às perguntas sobre a vida militar com sinceridade. A maioria mal prestava atenção. Promoções, investimentos e a última vitória de Lauren no tribunal importavam mais. Para eles, meus anos de uniforme não passavam de ficar parado à porta de alguém.
Quando a sobremesa chegou, a atmosfera do ambiente mudou. Alguém trouxe um bolo. Velas tremeluziram. Todos começaram a cantar. Pela primeira vez em meses, quase me deixei envolver pelo calor — até ver Vivian se levantar novamente, o envelope de pérolas brilhando em sua mão com unhas impecáveis.
“Um presente especial”, anunciou ela com uma voz alegre e ensaiada. “De todos nós.”
Ryan aproximou o celular do meu rosto, o maxilar tenso de expectativa. Lauren se inclinou para a frente, contando minhas respirações. Seus olhares me encaravam fixamente, como um falcão à espreita, aguardando o momento certo.
Dei um sorriso educado, deslizei um dedo por baixo da fita prateada e abri o envelope.
Silêncio.
Papel rasgando.
Lá estava — perfeitamente dobrado: Petição para Dissolver o Casamento.
O lustre ainda brilhava. Um garçom ainda circulava entre as mesas. Os convidados ainda erguiam seus copos. No entanto, tudo o que eu ouvia era um silêncio denso e expectante, e eu sabia que o palco estava finalmente pronto.
Sentei-me com o envelope aberto, as palavras queimando meus olhos. Os lábios de Vivian se curvaram em triunfo. A luz da câmera de Lauren piscou. Ryan se aproximou, pronto para capturar as lágrimas.
A batalha ensina uma regra: nunca dê ao inimigo o que ele veio buscar.
Levantei a caneta ao lado do envelope como se fosse uma ferramenta pequena e precisa. Segurei-a com firmeza. Escrevi meu nome com os mesmos traços nítidos que usava nos relatórios de missão no exterior. Quando a última letra terminou, larguei a caneta e expirei.
« Obrigada », eu disse, calma, quase gentil. « Este é o melhor presente que você poderia ter me dado. »