Uma família que parecia um tribunal.
Depois daquela manhã, as reuniões familiares deixaram de parecer jantares e passaram a parecer audiências onde eu era sempre o réu. Vivian presidia como uma juíza. Lauren fazia o papel da promotora sorridente. Ryan — que antes era meu parceiro — permanecia em silêncio como um jurado que já havia formado sua opinião.
No Dia de Ação de Graças, eu vestia meu melhor uniforme, com os botões bem brilhantes. Esperava que minhas fitas pudessem suavizar os olhares. Em vez disso, Vivian ergueu o copo com um sorriso tão largo que parecia mentira. « Sou grata pela promoção da Lauren a sócia », anunciou, radiante. E então, dirigindo-se a Ryan: « E pelo sucesso do escritório de contabilidade do meu filho. »
Seu olhar passou por mim como se eu não estivesse ali. Quando chegou a minha vez, murmurei um agradecimento pela saúde e pela família. Minha voz mal alcançou o final da mesa. As cabeças assentiram educadamente. Algumas sorriram com pena — doeu mais do que o silêncio.
Lauren inclinou-se para a frente com a calma de quem estava no tribunal. « Então, Maya, ainda está de olho no portão? »
Seu riso era baixo, quase brincalhão. Antes que eu pudesse responder, Vivian interrompeu, suave como mármore. « Ela está avaliando as opções. »
Suas palavras pairaram no ar, me deixando com uma impressão de incerteza, de inferioridade.
No Natal, a situação ficou mais acirrada. Vivian colocou uma caixa de veludo na frente da filha — uma delicada pulseira de diamantes. Aplausos, elogios, admiração. Em seguida, ela deslizou um pequeno pacote embrulhado em jornal para mim. Abri e encontrei um livro: um guia para subir na carreira corporativa.
A mensagem ressoou mais alto que as canções de Natal. Você não é suficiente como é.
Não importava quantos uniformes eu passasse a ferro ou quantas fitas eu polisse, nada disso contava no mundo deles, de tribunais e clubes de campo.
Nem todos se afastaram. No fundo, o avô de Ryan — o Coronel Thomas Hale — permanecia sentado ereto, apesar da idade. Veterano da Segunda Guerra Mundial, seus olhos repousaram sobre mim por mais tempo do que os de qualquer outra pessoa. Não havia zombaria ali. Apenas uma tristeza silenciosa — como se ele reconhecesse um campo de batalha mesmo com toalhas de mesa brancas e cristais. Ele não disse nada, mas eu me senti vista. E ainda assim, me senti completamente sozinha.
Rejeições e uma Faísca
Tentei me convencer de que havia interpretado mal o que vi na cozinha. Talvez aqueles papéis não fossem o que eu pensava. Talvez eu tivesse imaginado aquelas palavras.
A dúvida me perseguia — de volta à base, para o quartel, até mesmo para o campo de treinamento, onde gritei ordens com uma voz mais firme do que eu me sentia.
Uma parte de mim ainda queria a aprovação de Vivian. Eu dizia a mim mesma que, se eu conseguisse provar meu valor fora do Exército — ser o tipo de nora da qual ela pudesse se orgulhar no clube —, talvez as coisas mudassem.
Comecei a me candidatar a empregos civis — cinquenta em um mês. Cargos administrativos. Recepção. Assistente de escritório. Cada rejeição me atingia como um soco no estômago: Exigimos diploma de bacharel. Seu perfil não se encaixa.
Cada frase me roubava um pouco da minha gentileza, uma palavra educada de cada vez. Matriculei-me em aulas noturnas na faculdade comunitária, na esperança de que um certificado em administração pudesse amenizar seu desprezo.