“Obrigado, Ethan. Espero que vocês dois encontrem paz. Se cuidem.”
Então fechei o laptop e fui dar uma caminhada pelo píer, com o sol do fim da tarde pintando a baía de dourado. Cruzei com famílias, corredores, casais empurrando carrinhos de bebê. Pela primeira vez em anos, não me senti deslocado.
Semanas depois, minha reportagem ganhou um prêmio de jornalismo. Durante a cerimônia, ao me aproximar do microfone, pensei naquele saguão da clínica — os olhares, a vergonha, a dor — e em como a vergonha se transforma rapidamente em poder quando você se apropria da sua história.
« Escrevi isto », disse à plateia, « para todas as mulheres que já ouviram que estão atrasadas para a própria vida. A verdade é que não existe prazo para a felicidade. »
Os aplausos subiram como uma onda. Sorri, sabendo que finalmente havia deixado o passado para trás — não com amargura, mas com serenidade.